Progresso e mito

Se por um segundo pudéssemos lançar nosso espírito para além do tempo presente; algumas gerações adiante; veríamos, com certo espanto, o escárnio e desdém superior com que os modernos tratarão nosso círculo cultural. Por mais que protestemos contra essa injusta subjugação, não poderemos evitar ser tratados como tratamos nossos antepassados: com aquele ranço superior de filho rebelde — a história do progresso do conhecimento sempre deve ser acompanhada com a história do esquecimento humano. — Temos ainda respeito por um Aristóteles, Dante, Shakespeare ou Descartes, porque os julgamos como atemporais. Mas a sociedade onde Dante viveu é por nós; pós-modernos, filhos do niilismo; totalmente enojada e imponderável. Julgamo-nos infinitamente superior àquela barbárie cristã, assim como nossos bisnetos nos olharão como estúpidos e incorrigíveis niilistas. — A verdade não veio nem ficou, apenas mudamos e sempre mudaremos a direção do nosso olhar. Dizer que a monstruosidade do presente é melhor ou pior do que a do passado, ou futuro, é apenas incompreensão de um cego fechado em seu tempo, em sua província!

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