mise en scène

Rir de si mesmo, da infinita imbecilidade que somos, de nossos atos mais que ridículos — que quando não fazemos ato nenhum, gargalha, pois seremos mais ridículos ainda. — Rir de nossos próprios sonhos, das incorrigíveis angústias, de nossas pífias conclusões; ria, da comédia de tudo que pensamos. Rir! apenas rir, no tragicômico caminho da existência.

Quando apenas o riso nos resta (que seja um esboço forçado através das aparências) toda a vida pode ganhar significado. Seja na imbecilidade do grotesco ou na balburdia da estridente gargalhada; seja até mesmo na loucura de nossas alucinações; seja o que for, que sejas! Toda essa alegria que o riso abarca nos transporta para qualquer coisa mais elevada, para qualquer mito mais suportável. E se este é o pior dos mundos possíveis, então ele não merece nossas lágrimas ou lamentações — ele não merece nem mesmo ser conhecido. — Visto isto, vamos rir desse mundo grotesco. Rir, de nós mesmo, por sermos mais grotescos ainda. Rir de tudo, absolutamente tudo!

Vamos dancem, dancem, pequenos macacos, dancem sobre o túmulo de Schopenhauer. Embriaguem-se com o próprio riso e vomitem sobre as ciências, as artes e a civilização moderna. Para quê tudo isso? E o que é a verdade de tudo senão aquilo que pensamos de tudo? — Não se intimidem. Arre, não se envergonhem, dance, beba, ria, pois eu, que sou mais um pequeno macaco, dançarei na loucura de meu túmulo e vomitarei sobre minha estúpida verdade. Mas não liguem para mim, apenas dancem, desfrutem, vive la vie… Ri, coração! tristíssimo palhaço.