Bravo: Lock

— Foxtrot Uniform Two, aqui é Oráculo Sete, qual a sua posição?

— Oráculo Sete, estou a caminho do Alpha Priority Six. Sobre o Mar das Arábias.

— Foxtrot Uniform Two, você tem um novo alvo: Punjab. Combustível restante?

— Duas horas e meia. Oráculo Sete, por favor, confirme, qual o novo alvo?

— Lahore, Punjab, Paquistão. Avise quando chegar. Desligando.

Lahore, Pakistan
2024.02.28 – 04:50
Operação Blackjack (Crise dos Mísseis)

Na capital de Punjab, a equipe Black estava incumbida de se infiltrar na central telefônica da província e grampeá-la.

Uma missão que já seria difícil numa situação de guerra prevista. Num estado de alerta que toda a cidade estava dificultou um pouco mais.

Os guardas usavam lanternas, patrulhavam com os faróis dos carros. A equipe Black tinha óculos de sensores térmicos e rifles de longo alcance — que não foram usados, soube, todos os inimigos foram derrubados com golpes precisos de faca.

Com o grampo plantado, como nós, interceptaram um caminhão, e passaram a se dirigir ao ponto de encontro: a estação de lançamento de misseis. Houve então a primeira comunicação de rádio, numa frequência que não sabíamos se podia ser interceptada pelo inimigo:

— Maomé, Alá, está morto.

Estava feito, enquanto amanhecia uma manhã suja.

Lahore’s Air Space, Pakistan
2024.02.28 – 10:41

— Oráculo Sete, aqui é Foxtrot Uniform Two, estou entrando na zona aérea de Lahore. Aguardo ordens.

— Oráculo Sete, aqui é…

— Roger, Foxtrot, estamos na escuta. Aguarde.

— Foxtrot, aqui é o General McDasson. Você tem visual da cidade?

— Ampla e clara, senhor.

— Tem unidades de infantaria no visor?

— Negativo. Todos estão abatidos.

— Foxtrot, estamos enviando alvos. Cheque mail.

— Mail recebido.

— Foxtrot… Não deixe pedra sobre pedra.

— WILCO.

Southern India
2024.02.28 – 10:46
Alpha Priority Center (Codinome Oráculo Sete)

O general está olhando o mapa do Paquistão, coçando o queixo.

— O bloqueio foi quebrado — diz. — Envie toda a força aérea disponível.

— Senhor, pode ser temporário, só recebemos a informação de que…

— Capitão, agora.

— Sim, general.

Batendo continência, indo para a sala de radio, de onde um dos operadores chega eufórico na porta da sala de reunião.

— Senhor, o piloto está sobre fogo.

Prontamente o general volta à sala de rádio.

— Foxtrot, qual é sua situação?

— Foxtrot, você me escuta?

Depois de ruídos, o piloto fala extasiado.

— Estou realmente fodido aqui, senhor. RPG, 57 mm, e uns malditos bastardos com AK…

— Estou tentando ganhar altitude, mas acho que atingiram uma turbina. Ago… FILHO D…

— Foxtrot, ainda está aí?

— Foxtrot, aqui é Oráculo, responda!

Sem resposta, o general joga os fones de ouvido no chão:

— Merda!

Enquanto ele reflexe frustrado, percebe que o capitão está de pé ao lado dele.

— Senhor?

O general suspira fundo e responde:

— Deixo-os de sobreaviso, capitão.

Um instante depois o general se volta ao operador de rádio:

— Continue tentando, rapaz.

Prontamente o operador, pega os fones e volta à comunicação:

— Foxtrot, aqui é…

Bahawalpur, Pakistan
2024.02.28 – 11:13
Operação Blackjack (Crise dos Mísseis)

Tão logo entramos na cidade, procuramos um ponto limpo para seguir a pé. Até lá avançamos o máximo que podíamos.

A cidade não era grande. Tinha certa de 300 mil habitantes, porém em época de guerra esta informação não vale de nada. A cidade pode estar vazia, ou ter o triplo só em soldados.

A parte da cidade em que estávamos era um subúrbio de classe média. Poucos prédios, quase nenhuma arvore, e a cidade ainda era malditamente plana. Estávamos extremamente vulneráveis.

Quando chegamos numa praça, descemos num beco. Não tínhamos visto nenhuma alma viva desde o amanhecer. E isto cheirava ser o preludio de uma grande merda. Quando estávamos prontos para avançar, a equipe Black novamente nos contata.

— Maomé, Alá. Mecca queima.

E era uma transmissão não planejada. Algo tinha acontecido bem diferente do previsto. E pelo visto, era merda. A merda que começava a cheirar.

Lahore’s Air Space, Pakistan
2024.02.28 – 10:52

— …FILHA DE UMA…

O jato do piloto é atingido no final da asa esquerda, que começa a esfumaçar. Não tem mais total controle da aeronave.

Caindo, evitando arduamente não entrar em parafuso, o piloto avista uma aglomeração de dezenas de militares inimigos. Então ele direciona a queda para lá, soltando os freios, com o dedo no Eject:

— Agora vocês vão chupar uma rola quente, seus filhos d’uma puta!

A nave explode ao acertar ao chão, iniciando uma cadeia de explosões, pelos torpedos que ainda tinha.

O piloto se ejetara segundos antes, porem a explosão cria um vácuo que puxa seu paraquedas para trás. Assim ele não abre, nem o piloto sobe muito.

Em meio ao tecido agitado do paraquedas o piloto tenta ver onde esta caindo. Quando consegue, já esta atingindo um telhado. Sem tempo de ficar de pé, cai de frente. Quebra o teclado, e chega ao chão, ainda não sentindo o corpo, ou as dores que possam estar por todo ele.

Ao levantar a cabeça, percebe que está num prédio militar. Uma espécie de dormitório. Porém vazio.

Quando seu olhar para na entrada do lugar percebe que está enganado. Quatro soldados estão na porta, olhavam a exploram, agora se preocupam com ele, indo atrás de seus rifles.

O piloto pula do chão, Mas está preso ao paraquedas. Os homens gritam desesperados em sua língua pátria, preparando suas armas.

Com muita dificuldade o piloto consegue se soltar, e pular, estilhaçando uma janela.

Ele rola alguns metros, pelos cacos de vidro e areia. Até parar de barriga pra cima, com os braços estendidos, percebendo que seu corpo está pior que imaginava.

Pela segunda vez, quando abre os olhos se vê cercado de soldados inimigos armados.

Um deles se próxima, usando a ponta quente da AK-49 de vara para cutuca-lo em suas feridas pelo corpo.

Mas isto não dura muito. Logo se ouve o som de inúmeras pequenas coisas que cortam o ar rapidamente.

Os corpos começavam a cair em volta do piloto. Eram projéteis, claro, ele pensava, mas sem qualquer som que se denuncia sua origem.

Ainda fraco, ele viu deitado os soldados mais bem equipados em sua vida.

Com um rifle preso por um alça no ombro, um deles lhe perguntou, com um ar irônico:

— Thunder?

À frente, com a visão do acidente aéreo, e perto dos corpos dos soldados que estavam dentro do dormitório, o líder da equipe aciona o rádio:

— Maomé, Alá. Mecca queima.

Continua…

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